Como implementar inovação na gestão com metodologias ágeis e design thinking, com Marcio Alaor de Araujo

Armand Montaire
Por Armand Montaire
Marcio Alaor de Araujo

Conforme alude Marcio Alaor de Araujo, executivo do mercado financeiro, inovar na gestão depende menos de adotar métodos da moda e mais de aplicá-los a um problema real do negócio. Metodologias ágeis e design thinking só entregam resultado quando saem do vocabulário corporativo e chegam à rotina das equipes.

Muitas empresas tropeçam justamente nessa passagem. Contratam treinamentos, rebatizam reuniões e espalham notas adesivas pelas paredes, mas continuam decidindo como antes: com prazos longos, aprovações em cascata e pouco contato com quem usa o produto. A mudança fica na superfície.

Para mostrar como a implementação funciona na prática, este artigo apresenta um caso hipotético, inspirado em situações comuns no setor financeiro. A empresa é fictícia, mas os obstáculos e as soluções são os que costumam surgir quando uma organização decide inovar de verdade.

O problema que motivou a mudança

Imagine uma financeira de médio porte que leva, em média, doze dias para aprovar crédito para pequenos comerciantes. Concorrentes digitais respondem em poucas horas. A diretoria sabe que está perdendo clientes, mas cada área aponta outra como responsável pela demora.

Marcio Alaor de Araujo indica esse tipo de impasse como o ponto de partida ideal para o design thinking. Em vez de procurar culpados, o método começa pela empatia: entender, a partir da experiência do cliente, onde o processo realmente trava e por quê.

A equipe da financeira entrevista comerciantes e acompanha pedidos do início ao fim. Descobre que o gargalo não está na análise de risco, e sim nos documentos solicitados em etapas separadas. Cada nova exigência devolvia o processo ao cliente e reiniciava a contagem.

Da ideia ao protótipo em poucas semanas

Com o problema definido, o design thinking avança para a geração de ideias e a prototipagem. O grupo reúne analistas de crédito, atendentes e profissionais de tecnologia para desenhar alternativas, como uma lista única de documentos apresentada logo no primeiro contato.

Marcio Alaor de Araujo
Marcio Alaor de Araujo

Nessa etapa, Marcio Alaor de Araujo avalia que o maior risco é a pressa em transformar a primeira boa ideia em projeto definitivo. Protótipos existem para ser testados com poucos clientes, corrigidos e, se necessário, descartados antes de consumir orçamento relevante.

No caso hipotético, o novo fluxo é testado com um grupo pequeno de comerciantes durante um mês. As primeiras semanas revelam que alguns clientes não sabem onde obter certos documentos, e a equipe acrescenta orientações simples ao formulário antes de ampliar o teste.

Metodologias ágeis para escalar sem perder o controle

Validado o protótipo, entram as metodologias ágeis. Nascidas no desenvolvimento de software e sistematizadas no Manifesto Ágil, elas organizam o trabalho em ciclos curtos, com entregas frequentes e revisão constante das prioridades. Na financeira, cada ciclo de duas semanas leva a melhoria a uma nova região.

Quando o método chega a uma instituição regulada, Marcio Alaor de Araujo comenta que a agilidade precisa conviver com a governança. Cada ciclo deve incluir a validação das áreas de risco e conformidade, para que a velocidade não abra brechas que depois custem caro à empresa e aos clientes.

Os rituais ágeis também mudam a relação entre líderes e equipes. Reuniões curtas de alinhamento e revisões ao fim de cada ciclo tornam os problemas visíveis cedo, enquanto ainda são baratos de resolver. O gestor deixa de apenas cobrar prazos e passa a remover obstáculos.

Inovação como hábito de gestão

O valor do caso não está na lista de documentos nem no prazo reduzido. Está na forma como a empresa aprendeu a decidir: ouvindo o cliente, testando antes de investir e ajustando o rumo com base em evidências, e não na opinião de quem ocupa o cargo mais alto.

Esse aprendizado se transfere para outros desafios. Uma organização que resolveu um gargalo com método tende a enfrentar o próximo com mais confiança, porque as equipes já conhecem o caminho e sabem que suas contribuições são levadas a sério. Inovar na gestão, portanto, é menos um projeto com data para terminar e mais uma cultura construída ciclo a ciclo. Metodologias ágeis e design thinking são ferramentas valiosas, mas o que sustenta a transformação é a disposição de liderar com humildade e escuta.

 

Compartilhe esse artigo
Deixe um comentário

Deixe um comentário