Eleições 2026: por que Lula e Flávio Bolsonaro aparecem empatados no 2º turno e o que isso revela sobre a disputa

Armand Montaire
Por Armand Montaire
Eleições 2026: por que Lula e Flávio Bolsonaro aparecem empatados no 2º turno e o que isso revela sobre a disputa

Pesquisas recentes mostram uma corrida presidencial mais apertada, mas os números ainda não permitem apontar um favorito definitivo.

A corrida presidencial de 2026 entrou em uma fase de forte competitividade. Pesquisas divulgadas nos últimos dias mostram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em situação de empate técnico em diferentes simulações de segundo turno. Na pesquisa Genial/Quaest divulgada em 7 de setembro, os dois aparecem com 41% das intenções de voto. No primeiro turno, Lula registra 36%, contra 29% de Flávio Bolsonaro. (CNN Brasil)

O Datafolha, divulgado em 3 de setembro, também apontou uma disputa apertada: Lula tinha 38% no primeiro turno, contra 33% de Flávio, enquanto na simulação de segundo turno aparecia com 46% contra 44%, resultado considerado empate técnico pela margem de erro de dois pontos percentuais. (Folha de S.Paulo) Já a pesquisa BTG/Nexus, divulgada em 8 de setembro, colocou Lula com 39% e Flávio com 35% no primeiro turno e mostrou Flávio numericamente à frente no segundo turno, com 46% contra 45% de Lula, também dentro da margem de erro. (Folha de S.Paulo)

O que realmente significa o empate entre Lula e Flávio Bolsonaro

O primeiro ponto que o eleitor precisa entender é a diferença entre uma pesquisa de primeiro turno e uma simulação de segundo turno. No levantamento Genial/Quaest realizado entre 4 e 7 de setembro, Lula aparece com 36% e Flávio Bolsonaro com 29% no primeiro turno. Augusto Cury (Avante) registra 8%, enquanto Renan Santos e Ronaldo Caiado têm 3% cada. Em uma eventual segunda etapa entre Lula e Flávio, porém, os dois chegam a 41%. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. (CNN Brasil)

Isso significa que não é possível afirmar, estatisticamente, que um dos dois esteja à frente nesse cenário. Mais importante do que o empate isolado é observar a evolução da série histórica. Na rodada anterior da Quaest, divulgada no início de setembro, Lula tinha 42% contra 41% de Flávio. Em julho, segundo a série do instituto, a diferença chegou a ser de oito pontos, com 45% para Lula e 37% para o senador. (UOL Notícias)

A mudança não significa automaticamente que Flávio Bolsonaro tenha ultrapassado Lula ou que o presidente esteja definitivamente em queda. Parte das oscilações está dentro da margem de erro. O que os dados permitem afirmar com mais segurança é que a vantagem observada anteriormente diminuiu e que a disputa entre os dois se tornou mais equilibrada à medida que o primeiro turno se aproxima.

Outro dado relevante é a existência de eleitores que ainda não estão definidos. Na simulação de segundo turno da Quaest, 13% disseram que votariam em branco, nulo ou não compareceriam, enquanto 5% permaneceram indecisos. No primeiro turno, branco, nulo ou ausência somaram 8%, e os indecisos chegaram a 9%. (CNN Brasil)

Por que a disputa ficou mais apertada a menos de um mês da eleição

A proximidade do primeiro turno aumenta o peso político de cada nova pesquisa. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, e, em 9 de setembro, faltam 25 dias para a votação. O Tribunal Superior Eleitoral informa que 158,7 milhões de brasileiras e brasileiros estão aptos a votar nas eleições de 2026 para presidente, governador, senador, deputado federal, deputado estadual e deputado distrital. (Justiça Eleitoral)

Nesse intervalo, campanhas ainda terão espaço para alterar percepções, ampliar exposição de candidatos e disputar os eleitores que não estão completamente convencidos. O Datafolha mostrou, por exemplo, que 57% dos entrevistados disseram estar mais decididos a votar neste ano do que em 2022, enquanto 32% afirmaram estar tão decididos quanto naquela eleição e 11% se declararam menos decididos. (Folha de S.Paulo)

A comparação entre institutos também demonstra por que uma única pesquisa não deve ser tratada como previsão do resultado. O Datafolha registrou Lula com 38% e Flávio com 33% no primeiro turno; a Quaest apontou 36% e 29%, respectivamente; e o BTG/Nexus chegou a 39% para Lula e 35% para Flávio. Embora os percentuais variem, os levantamentos convergem em um ponto: Lula permanece numericamente à frente no primeiro turno, enquanto Flávio aparece consolidado como seu principal adversário. (Folha de S.Paulo)

Também chama atenção o desempenho de Augusto Cury. No Datafolha, ele chegou a 8%, enquanto na Quaest caiu de 10% para 8% entre as duas rodadas. No BTG/Nexus, aparece com 9%. Embora ainda distante dos dois líderes no primeiro turno, sua presença mostra que existe espaço para candidatos que tentam alcançar eleitores menos identificados com o confronto tradicional entre petismo e bolsonarismo. (Folha de S.Paulo)

O que as pesquisas revelam sobre o eleitor e os próximos passos da eleição

Os levantamentos mais recentes indicam que a polarização continua sendo um dos principais elementos da eleição de 2026, mas não garante uma vantagem confortável para nenhum dos dois nomes mais competitivos. No Datafolha, Lula aparece com 46% contra 44% de Flávio no segundo turno. Na Quaest, os dois têm 41%. Já no BTG/Nexus, Flávio aparece com 46% e Lula com 45%. Em todos esses casos, as diferenças estão dentro das respectivas margens de erro. (Folha de S.Paulo)

Os números também revelam que o eleitorado possui perfis bastante diferentes dentro da disputa. O Datafolha identificou vantagem de Lula entre os eleitores de menor renda, menos escolarizados, nordestinos e católicos. Flávio Bolsonaro aparece à frente entre eleitores com ensino superior, na faixa de renda de dois a cinco salários mínimos, no Sul e entre evangélicos. Esses recortes ajudam a explicar por que a disputa nacional pode permanecer equilibrada mesmo quando um candidato apresenta vantagem em segmentos específicos. (Folha de S.Paulo)

O ambiente político das últimas semanas também pode influenciar a disputa. A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal, as críticas de Flávio Bolsonaro a ministros da Corte e os atos de 7 de Setembro entraram no discurso eleitoral. No dia 7, Flávio participou de uma manifestação na Avenida Paulista que reuniu cerca de 28 mil pessoas, segundo levantamento citado pela imprensa, enquanto direcionou críticas ao ministro Alexandre de Moraes e associou o tema à campanha presidencial. (Folha de S.Paulo)

Ao mesmo tempo, questões econômicas continuam relevantes para a decisão do eleitor. Avaliação do governo, inflação, emprego, renda, segurança pública, custo de vida e percepção sobre corrupção podem ter impacto maior sobre quem não está completamente alinhado a nenhum dos polos. A própria pesquisa Quaest mostrou 50% de desaprovação e 43% de aprovação ao governo Lula, um indicador que ajuda a contextualizar a dificuldade de o presidente ampliar sua vantagem eleitoral. (Rádio Itatiaia)

Para o cidadão, a principal lição das pesquisas é evitar a interpretação de que um empate técnico equivale a resultado definido. Pesquisas eleitorais retratam a intenção de voto no período em que as entrevistas são realizadas; elas não antecipam o resultado das urnas. Além disso, pequenas oscilações podem ocorrer entre levantamentos por diferenças de metodologia, datas de coleta, composição da amostra e questionários.

Com Lula ainda numericamente à frente no primeiro turno e Flávio Bolsonaro consolidado como principal adversário, a eleição presidencial entra em uma etapa de elevada competitividade. O empate registrado pela Quaest e as diferenças mínimas apontadas por Datafolha e BTG/Nexus mostram que a margem de segurança observada em levantamentos anteriores diminuiu. Isso não significa que os dois estejam garantidos no segundo turno, nem que a eleição esteja decidida, mas indica que os próximos dias serão decisivos para a definição das preferências.

Com 158,7 milhões de eleitores aptos e apenas 25 dias até o primeiro turno, cada mudança de percepção pode ganhar importância. Para o eleitor, acompanhar a evolução de diferentes pesquisas, observar a margem de erro, verificar a metodologia e conhecer as propostas dos candidatos é mais útil do que transformar um único levantamento em previsão do resultado. (Justiça Eleitoral)

Fontes

 

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