A presença da mulher na política sempre foi marcada por uma resistência intensa, não apenas por questões históricas, mas também por um sistema político que, ao longo dos anos, ainda permanece dominado por uma estrutura patriarcal. Embora o espaço feminino no meio político tenha aumentado consideravelmente nas últimas décadas, a jornada da mulher na política continua a ser marcada por desafios imensos, como falas misóginas, ameaças, tentativas de silenciamento e a falta de oportunidades iguais às dos homens. O que muitas vezes parece um avanço para a participação feminina esconde, ainda assim, uma luta constante contra uma sociedade que tende a desvalorizar a mulher, especialmente no campo político. O longo caminho da mulher na política é, portanto, uma história de resistência e superação.
Durante muito tempo, as mulheres estiveram excluídas dos principais espaços de decisão política, sendo vistas como figuras incapazes de lidar com as complexidades do poder. Essa visão estava arraigada na ideia de que as mulheres deveriam se limitar ao lar e ao cuidado da família, enquanto os homens controlavam a política. As falas misóginas que reverberam até hoje, como as citadas por Maria do Rosário, ex-deputada e defensora das cotas, refletem essa cultura de submissão que ainda persiste no cenário político. O fato de a mulher ser constantemente descreditada e tratada com desdém, por vezes, apenas reforça os obstáculos que ela deve superar para ser respeitada e ouvida em qualquer espaço político.
A evolução das mulheres na política, no entanto, não pode ser ignorada. Desde a conquista do direito ao voto até a implementação das cotas de 30% para candidaturas femininas, houve uma transformação significativa na participação política das mulheres. A cota de 30% foi um passo importante para garantir que as mulheres tivessem uma representação mínima em cargos políticos, o que, com o tempo, aumentou a presença feminina nas câmaras municipais e em outros espaços de poder. Esse avanço foi fundamental para abrir o campo da política e garantir que as mulheres tivessem acesso a oportunidades que antes eram inacessíveis. Embora ainda haja muito a ser feito, essa conquista mostra que o longo caminho da mulher na política está sendo trilhado com determinação.
Contudo, a resistência das mulheres continua sendo testada constantemente. Mesmo com avanços significativos, muitas mulheres enfrentam agressões verbais, intimidações e uma constante tentativa de silenciamento. Isso acontece em diversas esferas da política, desde a base até os altos escalões, e está diretamente relacionado a uma cultura enraizada de misoginia. A experiência de mulheres políticas é muitas vezes marcada pela desvalorização de suas ideias e ações, que são frequentemente minimizadas e desqualificadas em um ambiente dominado por homens. Essas atitudes não apenas limitam a participação feminina, mas também prejudicam o desenvolvimento de uma política mais justa e representativa.
Além das dificuldades externas, as próprias mulheres enfrentam barreiras internas ao tentar ocupar cargos políticos. O preconceito e a falta de apoio dentro de seus próprios partidos e entre seus colegas homens geram uma pressão constante sobre as políticas públicas que elas defendem. A falta de representatividade e a sub-representação das mulheres nos centros de decisão faz com que suas propostas e visões muitas vezes sejam ignoradas ou desvalorizadas. Isso cria um ciclo vicioso em que a mulher se vê constantemente em uma posição de inferioridade, mesmo com uma formação sólida e capacidades reconhecidas, simplesmente por ser mulher.
É importante destacar que a presença feminina na política não é apenas uma questão de direitos ou igualdade de gênero, mas também uma questão de justiça social. A mulher traz para a política uma visão única e essencial para a construção de uma sociedade mais inclusiva e igualitária. As políticas públicas que consideram as necessidades das mulheres são fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa e equilibrada. Portanto, o aumento da participação feminina na política não é apenas benéfico para as mulheres, mas para toda a sociedade como um todo. Garantir que a mulher tenha um espaço digno e respeitado na política é essencial para o progresso de qualquer nação.
Mesmo em face das falas misóginas e das constantes tentativas de minar a força política das mulheres, a resistência feminina continua a crescer. Mulheres como Maria do Rosário, que lutam pela implementação de cotas e pelo fortalecimento da representatividade feminina, têm sido fundamentais para garantir que a voz da mulher seja ouvida nas esferas de poder. O movimento das mulheres na política é um reflexo de uma luta mais ampla pela igualdade e pelo respeito, e essa resistência tem mostrado que, apesar das dificuldades, a presença da mulher na política não pode ser ignorada ou silenciada.
Em suma, o longo caminho da mulher na política é uma jornada de resistência, superação e luta pela igualdade. Embora ainda haja muitos desafios a serem enfrentados, é inegável que as mulheres têm avançado em direção a uma maior participação política e a uma maior representação nas esferas de poder. A misoginia ainda é um obstáculo significativo, mas a força e a determinação das mulheres continuam a desafiar as barreiras impostas por uma sociedade que muitas vezes não reconhece o valor e a contribuição das mulheres para a política. O futuro, sem dúvida, será mais inclusivo, e as mulheres continuarão a lutar por um espaço de igualdade e respeito na política e além.
Autor: Stanislav Zaitsev
Fonte: Assessoria de Comunicação da Saftec Digital